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Escola inclusiva: para além da cadeira de rodas

Foto do escritor: Consolacao Resende
Consolacao Resende
20 de fev. de 2020
6 min de leitura

​O tema da inclusão social é algo que tem permeado todas as esferas da sociedade.

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CIDNÉIA AZEVEDO Pedagoga da Rede Municipal de Betim, especialista em Gestão Escolar.

Todos nós conhecemos pessoas com deficiências físicas ou mentais. Contudo, o caminho que as pessoas com deficiência tem per-corrido é árduo. Da acessibilidade que vem sendo largamente implantada nos diversos ambientes – mercados, igrejas, hospitais, etc – para cadeirantes, até o Atendimento Educacional Especializado em escolas públicas, nunca o tema foi tão seriamente discutido como na atualidade.

O que é uma escola inclusiva? E uma escola Especial?

De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020) a educação inclusiva comtempla educandos com deficiência (intelectual, física, auditiva, visual e múltipla), transtorno global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades. De encontro a esta definição a escola Especial é aquela projetada para atender específica e exclusivamente alunos com determinadas necessidades especiais. Não existem alunos sem deficiência na Escola Especial. Porém, segundo o artigo 58 da Lei art. da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, prescreve que: “Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino...” Desta forma, é na escola pública que encontramos o modelo de escola inclusiva, ou seja, uma escola que rompe com a dicotomia entre iguais e diferentes; normais e deficientes. As escolas inclusivas atendem às diferenças sem discriminar. A diferença entre a escola especial e a escola inclusiva consiste no termo INCLUSIVA. Enquanto a Educação Especial consiste em uma modalidade de ensino para pessoas com deficiências ou altas habilidades, a Educação Inclusiva consiste na prática educativa e num processo social, no qual a escola oferece aos educandos portadores de necessidades especiais e de aprendizagem, o direito à escolarização o mais próximo possível do normal. Na educação inclusiva, alunos com e sem deficiência convivem e aprendem jutos.

A nossa realidade da Educação Inclusiva

O aluno com deficiência poderá estar matriculado na escola pública e ainda assim, poderá frequentar uma escola especial para ter atendimento educacional especializado e este não substitui a es-cola comum. A escola especial contribui de forma complementar à escolarização do aluno com deficiência. Porém, a tendência global das escolas especiais é que se tornem centros de referência e formação dos profissionais que atuam na educação especial. Os desafios da inclusão escolar perpassam por várias áreas. A escola pública é ciente do seu papel de escola cidadã. Mas ela segue normas e diretrizes específicas. E ainda há um imenso contingente de crianças vítimas da microcefalia que chegarão às escolas.

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CEGUEIRA E BAIXA VISÃO: Clinicamente, pessoa com deficiência visual é aquela que enxerga 30% ou menos no melhor olho, após as correções ópticas (que incluem lentes e cirurgias). Se a visão fica entre 30% e 5%, o aluno é classificado como de baixa visão. Quem enxerga menos de 5% é considerado cego. A Lei nº 10.753/2003, que institui a Política Nacional do Livro, garante a compra de materiais em Braille para atender aos direitos de aprendizagem dos alunos cegos. Para dar conta dessa demanda, o Ministério da Educação (MEC) mantém o Projeto Livro Acessível (bit.ly/ mecacessivel), que articula as ações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) com as secretarias estaduais e municipais.

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DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: também conhecida como retardo mental, ou deficiência mental está relacionada com dificuldade de raciocínio e compreensão. No geral, crianças com deficiência intelectual apresentam raciocínio e compreensão abaixo da média em relação a outras crianças da mesma idade. Um dos desafios é garantir o fluxo escolar desses estudantes, cujo ritmo de desenvolvimento pode ser diferente. A Nota Técnica nº 13 do MEC, de 2009 (disponível em bit.ly/nota13-mec), lembra que o Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiu uma resolução que orienta o sistema educacional sobre a progressão desses alunos de série para série.

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O AUTISMO: é um problema psiquiátrico que costuma ser identificado na infância, entre 1 ano e meio e 3 anos, embora os sinais iniciais às vezes apareçam já nos primeiros meses de vida. O distúrbio afeta a comunicação e capacidade de aprendizado e adaptação da criança; o desafio é encontrar maneiras de se comunicar com eles, trazendo-os pa-ra o convívio da turma e ajudando-os a ampliar seu universo de interesses O autismo, assim como a síndrome de Asperger, foi recentemente reclassificado e hoje pertence ao leque do TEA - transtornos do espectro autista . Os quadros de autismo são enquadrados, do ponto de vista legal, como “alunos com transtornos globais do desenvolvimento” que também têm direito ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). A Nota Técnica nº 11, publicada pelo MEC em 2010, traz as especificações sobre como o serviço deve ser prestado nesses e em outros casos.

Em 8 anos, o número de alunos com deficiência em classes comuns cresceu 130% passando de 698 mil.

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FONTE: CENSO ESCOLAR 2014

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Nordeste lidera inclusão de alunos com deficiência em sala regular

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Nordeste 92%

Norte 89%

Centro-Oeste 80%

Sudeste 74%

Sul 69%

FONTE: CENSO ESCOLAR 2014

O grande desafio da inclusão escolar

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A política nacional de inclusão fala da “inclusão de todos”. Este é um grande desafio para as escolas da atualidade.

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ELIZABETE APARECIDA RIBEIRO DA SILVA Pedagoga – Especialista em coordenação pedagógica e no processo ensino aprendizagem. Assessora da equipe NAM dor Centro de Referência r ]e Apoio à Educação Inclusiva em Betim

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Neste assunto, Betim especializou na educação especial, que tem toda uma legislação própria. Para falar sobre o assunto, o SUA SAÚDE entrevista a pedagoga Elizabete Aparecida da Silva.

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QUEM É O PÚBLICO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL?

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As crianças e adolescentes que têm deficiência, seja física ou intelectual. Acrescentam-se todas as síndromes, como Down e superdotação. Estas crianças têm direito ao acesso e também ao atendimento educacional especializado. Em Betim, elas têm uma professora, uma sala de recursos multifuncionais. No turno, o educando está na sala de aula e no contraturno, ele vai para esta sala. Se escola não tem estes “recursos”, estas crianças vão para o CRAEI, que hoje atende em torno de 300 crianças com deficiência. Estes alunos têm direito a 50% a mais da carga horária, a uma atendente que os acompanha no dia a dia. Também são avaliados por um parecer descritivo e ainda, aqueles que vão para o CRAEI têm direito ao transporte gratuito. Como estas crianças se apresentam como sujeitos de direito, podemos considerar isto um avanço. Na verdade temos algumas escolas bem estruturadas, mas o desafio existe e é muito grande.

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EXISTE UM OUTRO PÚBLICO NO DESAFIO DA INCLUSÃO?

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Sim, temos crianças e adolescentes que apresentam transtornos, sendo que estes não estão inclusos como deficiência. Temos o TDA – Transtorno com Deficit de Atenção ou hiperatividade, TOD – Transtorno Desafiador Opositivo, dislexias e outros. Aqui podemos colocar crianças e adolescentes com questões sociais graves, sendo este o maior desafio: “incluir estes jovens na educação especial”. Temos adolescentes assassinados por questões de drogas e vítimas de violência, por exemplo. Estas crianças ficam sem atenção, sem recursos. Hoje, estes problemas têm chegado à escola e, para ser solucionado, precisa de equipe multidisciplinar. Muitos destes educandos não possuem sequer o direito ao diagnóstico. Eles simplesmente são apresentados como aqueles que não aprendem. No CRAEI temos o NAM - Núcleo de Apoio Multidisciplinar, para tratar desta questão, criado há dois anos e do qual faço parte. Até então, o CRAEI estava especializado na educação especial. Estamos buscando estruturar um trabalho para lidar estes “alunos problema”, bem como criar uma politica pública que privilegie este público, que é muito maior e que precisa ter seus direitos respeitados.

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COMO É ESTE TRABALHO?

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Na nossa equipe trabalhamos com atendimento domiciliar para aquelas crianças que apresentam atestado médico por mais de 30 dias, em situações que o impeçam de ir para a escola. O professor vai na casa delas uma vez por semana. Temos também a classe hospitalar, no qual uma professora de nossa equipe trabalha em hospitais. Vamos à escola pois temos um grande número de crianças que não aprendem. Temos questões metodológicas, mas não é só isto e a mídia é muito perversa em tratar estes assuntos. Acreditamos que exista algo mais neste processo, que pode ser da ordem da saúde ou, em sua maioria, social. Um exemplo: a escola separou 22 crianças que não aprendem e descobrimos que elas precisam ser ouvidas, pois têm muitas temáticas sociais que envolvem suas vidas, como prisão, drogas, abusos... O professor tem um único plano para a turma e não tem sabe lidar com isto. Estes adolescentes têm mostrado para nós que não foram acolhidos, nos nossos encontros vamos trabalhando o professor, os estudantes que precisam de autoestima, serem ouvidos... A escola atual ficou para trás, pois a tecnologia avançou e para estes adolescentes ficou chata. Fazer a prova separada seria a coisa mais simples. É preciso levar em conta, como este aluno se vê. Olha o nosso desafio: para os pais, os professores, a sociedade... Estamos longe de construir esta escola inclusiva de verdade. Precisamos aprender a lidar com a diversidade, questões de gênero e o bullying. Afinal vivemos em uma sociedade excludente. Temos um problema que é o professor que está cada dia mais, digamos, “abatido”, seja pelos problemas, seja pelos salários... muitos acabam indo para outras áreas.

ESTA DISCUSSÃO CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO.

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